Por Redação Academia de Elite · Publicado em

Aprovada na PC BA e PC DF: como ela superou reprovações e conquistou duas vagas

Aprovada na PC BA e PC DF: como ela superou reprovações e conquistou duas vagas

Juliana Dantas enfrentou mais de 30 concursos, comparações e lesões antes de ser aprovada nas polícias civis da Bahia e do Distrito Federal.

Natural de Manaus, Juliana Dantas começou a estudar para concursos há cerca de oito anos, após uma conversa com o pai, servidor público. Formada em Direito, ela nunca quis seguir a advocacia e viu no serviço público a chance de construir o futuro desejado.

Ao longo da preparação, foram pelo menos 30 concursos realizados entre tribunais, assembleias, câmaras e carreiras policiais. Em muitos, vieram reprovações consecutivas, notas parecidas e a sensação de estagnação. "Tá reprovada, reprovada, reprovada! E eu ficava: 'como assim, gente, eu não passo em nada?'", relembrou.

Primeiro concurso trouxe choque de realidade

No início, Juliana acreditava que a aprovação viria rápido, inspirada pelo pai, que passou em um concurso após apenas três meses de estudo. "Meu pai falou que com três meses conseguiu passar para concurso. Falei: 'cara, com três meses meu pai conseguiu passar, eu também consigo'", contou.

O primeiro concurso foi para um Tribunal do Trabalho. A expectativa, porém, foi frustrada: "Eram 60 questões. Eu acertei 18. [...] Foi aí que eu tive um choque de realidade", relatou. Depois da reprovação, ela precisou decidir entre desistir ou continuar. Escolheu permanecer na jornada.

Concurso em outro estado mudou sua visão

Na época, Juliana ainda enxergava os aprovados como pessoas inalcançáveis. A percepção começou a mudar quando participou de uma caravana de Manaus para fazer um concurso do TRT em Campo Grande. Mesmo sem se sentir preparada, viajou com outros candidatos.

"Na minha cabeça só quem passava era nerd, uma galera de outro mundo, que só fazia isso da vida. Quando você chega lá, não são nerds, são pessoas normais, conversam normal, que estudam normal. A diferença é que elas se dedicam", disse. A partir daí, ela entendeu que aprovação exigia paciência e repetição. "Eu queria tudo para ontem. Aprendi que não é no nosso tempo", afirmou.

Reprovações e comparações marcaram a trajetória

Após a experiência em Campo Grande, Juliana passou a fazer concursos em diferentes estados. Vieram novas provas, novas reprovações e um período em que parecia não evoluir. "Sabe quando você fica batendo no limbo da pontuação? Faz uma prova: 60 pontos. Aí outra prova, 60. Você não consegue sair daquela pontuação", explica.

Além das dificuldades com desempenho, ela precisou lidar com comparações constantes. "O segundo choque de realidade foi ver amigos que estudavam do meu lado, com o mesmo material que eu e passando antes de mim", relata. Com o tempo, passou a enxergar os concursos como uma fila e destacou a importância de estar perto de outros concurseiros para tornar a preparação menos solitária.

Questões se tornaram a principal ferramenta de estudo

Juliana utilizava questões desde o início da preparação. Antes mesmo de conhecer o Qconcursos, já resolvia exercícios em livros. Depois, passou a usar a plataforma diariamente para acompanhar desempenho e manter constância. Ao longo da trajetória, acumulou cerca de 48 mil questões resolvidas.

"O Qconcursos me ajudou muito em relação à resolução de questões", contou. Ela gostava de acompanhar os gráficos de desempenho e utilizar os comentários das questões para revisar conteúdos. "Eu adoro saber o quanto alavanquei. Não apago por nada o número de questões que estão lá".

Mudança para área Policial trouxe nova motivação

Após anos estudando para tribunais, Juliana decidiu migrar para a área Policial. "Hoje eu vejo que sempre tive um amor pela polícia e não sabia", revelou. O primeiro concurso policial trouxe mais um baque, mas ela decidiu continuar.

Em 2019, saiu o edital da Polícia Civil do Distrito Federal. Pouco depois, veio a pandemia e o cenário de incerteza abalou a preparação. Ela chegou a parar de estudar por algumas semanas ao ouvir notícias sobre suspensão de concursos. "O tempo vai passar de qualquer forma, você estudando ou não", comentou. Foi então que retomou a rotina.

Aprovação na PC DF surpreendeu Juliana

Mesmo após anos de preparação, Juliana afirma que não acreditava que seria aprovada na PC DF. Quando viajou para fazer a prova, chegou a mandar mensagem para uma amiga dizendo que estava indo apenas porque já havia pago a inscrição e a passagem. "Eu não dava nada pela Polícia Civil do DF em relação a passar", disse.

Durante a prova, sentiu dificuldade nas questões, mas teve segurança na redação após perceber que o tema era um assunto treinado dias antes. Depois do exame, saiu sem expectativa. A surpresa veio quando o resultado preliminar foi divulgado. "Eu nunca tinha tido essa oportunidade de ver meu nome no Diário Oficial", comemorou. Juliana foi aprovada para o cargo de escrivã da Polícia Civil do Distrito Federal.

TAF e exames médicos exigiram nova superação

A aprovação na prova objetiva não encerrou os desafios. Juliana precisou aprender a correr para o Teste de Aptidão Física (TAF), já que não tinha costume de praticar atividades físicas. "Eu não corria nenhum quilômetro", relembrou. A preparação física foi uma das maiores dificuldades.

Além disso, chegou a ser considerada temporariamente inapta nos exames médicos da PC DF após apresentar alteração na pressão arterial. Ela teve apenas quatro dias para resolver toda a situação e realizar novos exames. "Foi um baque muito grande", revelou. Após reverter o quadro, avançou nas demais etapas.

Aprovação na PC BA veio logo depois

Enquanto aguardava as próximas fases da PC DF, Juliana decidiu continuar prestando concursos. Pouco tempo depois, conquistou também a aprovação na Polícia Civil da Bahia. "Quando você passa no primeiro, passar no resto é mais fácil", explicou.

Ela conta que chegou a sofrer uma lesão poucos dias antes do TAF da PC BA, mas conseguiu concluir a etapa. Mesmo aprovada, segue estudando para alcançar um novo objetivo: o cargo de delegada.

Família e resiliência sustentaram a trajetória

Juliana afirma que o apoio da família foi decisivo durante toda a preparação. Os pais nunca fizeram cobranças, mesmo nos períodos em que ficou sem trabalhar para focar exclusivamente nos estudos. "Minha mãe, meu pai e minha irmã sempre foram minha base para tudo", contou.

Em meio às reprovações, ela chegou a fazer uma tatuagem com a palavra “resiliência”, como forma de lembrar diariamente que precisava continuar. "Toda vez que eu olhava para ela, falava: 'vai dar certo'", disse. Hoje, após anos de preparação, Juliana afirma que aprendeu que a caminhada transforma o candidato antes mesmo da aprovação. "A caminhada, no fim, vale mais a pena do que a aprovação, porque você se transforma em outra pessoa, você se torna uma pessoa mais forte, mais resiliente", conclui.

Fonte

Fonte: Concurso App